Artigos, animações virtuais, poesias, etc...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Anima Session apresenta... Entrevista com o Homem Dragão




Já ouviram falar em "Talk-Walk-Fly-&-Teleport-Show"? Nem eu. Na verdade, trata-se do nome mais apropriado que consegui achar pra performance virtual que vocês vão ver (se tiverem paciência e/ou quiserem ganhar uma cerveja de graça na próxima vez que nos encontrarmos...). É uma animação, mas uma animação diferente. O gênero talvez possa ser definido como "Performance Virtual". Trata-se da junção de duas artes: Virtual Filmmaking (Cinema Virtual) e Marionete Digital (Digital Puppetry). O nome antigo (ainda usado) era "machinima" (de "machine" + "anima") mas já está ultrapassado: hoje todas as animações, desde as amadoras às produzidas pelos grandes estúdios, são feitas em "máquinas" (pc's, mac's, etc). Caso resolvam encarar a empreitada, considerem por favor que eu não tenho uma equipe (tive somente a participação, como atores, dos dois avatares "marionetes" convidados). E que, portanto, desempenhei as seguintes tarefas sozinho:

a) Preparativos: escolha do formato do programa, pesquisa e montagem do cenário e do figurino, pesquisa e convite aos avatares "extras", configurações de câmera, som, download e pesquisa de músicas autorizadas (embora tenha havido um probleminha aí...), etc.
b) Performance em tempo real: desempenhei, ao mesmo tempo, as tarefas de cineasta virtual (filmei com mouse 3D utiliizando a mão direita) e marionetista digital (fala, movimentação do meu avatar utilizando mouse comum e teclado, alternadamente, com a mão esquerda).
c) Edição, publicação e divulgação.

Por fim, considerem também que:

a) Esta é a única modalidade de animação que pode ser transmitida ao vivo. A única razão de eu ainda não fazê-lo (a não ser em um ou outro teste em webtv's gratuitas) é que, para que isto seja viável com qualidade, a taxa de upload (não download...) tem de ser, no mínimo, de 10 megas por segundo.
b) Esta é, dentre as modalidade de animação, a que apresenta o melhor custo/benefício financeiro (artistas e técnicos podem trabalhar juntos, em tempo real, de qualquer canto do planeta, sem a necessidade de gastos com locação, cenários, custos com viagens, hotéis, etc, etc, etc...)

Espero que gostem do capítulo 0 do meu Talk-Walk-Fly-&-Teleport-Show" (pensem na cerveja de graça...)

PS: rodado no ambiente virtual de Second Life

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha.... Minha querida e revolucionária Isadora... por isso só os loucos e as crianças fazem revoluções: ambos são ingênuos. Pra fazer uma revolução é preciso uma boa dose de ingenuidade. Você faz e... quando vai ver, se toca que aquilo tudo foi uma loucura, não acredita como conseguiu, etc. Mas aí vc já fez e... bom, das duas uma: ou vc passa o resto da vida contando a aventura pros outros, e isso é bom pras novas gerações (saber como foi o passado por alguém que o viveu e protagonizou) ou vc se torna um reaça de marca maior porque agora os mais jovens que vc é que vão querer fazer uma outra revolução que questiona as bases da que vc fez no passado (mesmo que essa outra revolução se assente sobre os resultados da que você fez). Li certa vez (não lembro onde) que Einstein atribuía a teoria da relatividade em parte ao seu desenvolvimento tardio (ele começou a falar parece que só lá pelos 5 anos. Seus pais já estavam tão preocupados que o levaram ao médico). Ele dizia ter começado a pensar em coisas como tempo e espaço, coisas nas quais só as crianças pensam, muito tarde, porém já com as ferramentas intelectuais de um adulto. Deu no que deu. Bom... ainda espero outras revoluções de vc, que ainda é bem novinha e tem muito chão pela frente. Esta do salário dos políticos, por exemplo. Depois, quando ficar velhinha, vc vai ter lindas histórias pra contar, mas lembre-se: não se aferre com unhas e dentes ao mundo que vc ajudou a construir. Se isto acontecer, vc vai ficar como seus professores e os avestruzes da lenda: com a cabeça dentro de um buraco pra não ver as bases do mundo que vc ajudou a construir ruindo (que é o que as revoluções fazem: roem as bases do mundo). Essa resistência ao novo se assemelha, paradoxalmente, às sereias que hipnotizavam os marinheiros de Ulisses com seu belo canto, mas que depois os devoravam quando estes pulavam ao mar, alucinados. Mas ela tem um outro nome: "Ideologia". É tão antiga que criou raízes. Por isso a coitada nem consegue mais andar. Talvez seja por isso também, por raiva de não conseguir mais andar, que ela vive hoje tentando comprar a gente com a única coisa preciosa que lhe restou, o radical (de "raiz") com o qual ela foi construída: a palavra "idéia". Sabe o que vc deve fazer quando a "Ideologia" vier com esse papo de que tem algo muito precioso pra te vender, as tais "idéias"? Exatamente o mesmo que você tem feito esse tempo todo: mostre a ela que você já as possui, porém resolveu fazer outro uso delas que não ficar chantageando e tentando enganar as pessoas. Diga que você as utilizou como matérias-primas pra construir algo muito mais útil, porque extremamente escasso hoje em dia. Algo chamado "ideais". E que são eles, os ideais (e não somente as idéias e muito menos ela, a "Ideologia"), que nos mantém livres, leves e soltos pra sair pra passear quando queremos. Que são eles que nos permitem continuar vendo a luz do sol e da lua, sinais de que o mundo continua girando :)

sábado, 8 de setembro de 2012

Soneto do anoitecer no mar


Soneto do anoitecer no mar

Gosto do ritmo
da explosão das ondas
encobrindo as pedras
e a visão do istmo

Mística neblina
que a paisagem cega:
Oculte-me as vagas
e, de quebra, as guerras.

Ah... maré, me traga
mensagens flutuantes,
venturosas linhas....

que lerei pensante 
na luz tremulante
de três lamparinas


terça-feira, 4 de setembro de 2012





Soneto da porra


Queria fazer uma porra
de um belo e inspirado soneto
Mas fico aqui tentando à toa
E não sai nada, nada mesmo

E então, quando a rima ressoa
Quando a coisa parece que vai
E um arzinho besta me invade
A palavra perfeita se esvai

Deixando-me atônito e triste,
De uma forma que ninguém sabe
O dedo assim meio que em riste

Com jeito de antigo profeta:
Um dia hei de um soneto fazer
Pra todos dizerem: poeta!

sábado, 9 de junho de 2012

Anima Session apresenta: Eldorado Kabarett



Você já ouviu falar da “República de Weimar”? Esse é o nome dado (referência à cidade de Weimar, onde a república foi proclamada) ao breve intervalo democrático vivido pela Alemanha entreguerras. Durou de 1918 a 1933, quando os nazistas assaltaram o poder. “Prestes a perder a Primeira Guerra Mundial, a liderança militar alemã, altamente autocrática e conservadora, atirou o poder para as mãos dos democratas”  (Wikipédia) pra que eles tivessem que negociar a paz. “Ou seja, a derrota na guerra” que ela própria tinha iniciado. Já viram esse filme antes? Ou melhor, depois? A república foi, portanto, um “presente envenenado à democracia”.  Independentemente disso, o período é visto com certa nostalgia por boa parte dos alemães devido ao fato de provavelmente ter sido a única oportunidade que tiveram de vivenciar liberdades civis antes do término da 2ª guerra. Foi a belle epoque deles, um pequeno lapso de tempo em que artistas e grupos minoritários puderam se expressar sem medo de represálias (ou das câmaras de gás). Conhecer o 1920’s Berlin Project foi uma grata surpresa. Criado pela usuária do avatar Jo Yardley, em Second Life, trata-se de uma magnífica réplica. Fiz uma animação (machinima) pra tentar captar o espírito daquele tempo. Espero que gostem.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sobre as implicações da revolução industrial para a educação.

Joelma, nosso dia a dia tá impregnado de racionalidade. A revolução industrial e a consequente urbanização impulsionou a regulação de nossas vidas no tempo e no espaço. Isso foi bom ou ruim? Não sei. O que sei é que foi necessário (por razões diversas). Eu sempre achei que devemos dissociar o valor das ferramentas do eventual mau uso que terceiros possam fazer delas. Não discuto se Skinner fez bom ou mau uso de suas descobertas. O que proponho é 1) reconhecer que são ferramentas poderosas; 2) considerar que uma parcela delas já se tornou parte integrante do nosso dia a dia e que o reconhecimento disso pode ser o primeiro passo pra capitalizá-las a favor da educação democrática que queremos. Os softwares que invadiram nossas vidas servem, por exemplo, pra minimizar o tempo das tarefas, repetitivas ou não. No caso da educação, pra minimizar o tempo de resposta ao estudante, uma das justificativas de Skinner pra utilização da tecnologia em sala de aula. O conceito está presente inclusive na breve conversa entre Bill Gates e Steve Jobs tiveram sobre a aplicação dos computadores na educação, presente na famosa biografia disponível nas bancas. Ora, aumentar a velocidade com que os alunos aprendem não tem a ver com o aumento do nível de escolaridade? Com formação de mão de obra qualificada, crescimento econômico e consequente diminuição do desemprego? E tudo isso com democracia? (PS: a China, ela sim taylorista no pior sentido, é claramente a exceção à regra). Não sei se alguém antes de Skinner expôs essas vantagens e a necessidade disso de forma tão clara.

João e Imaculada: não somos máquinas, claro, mas quando as  utilizamos, elas “são a gente”. Concordo com Marshall McLuhan: as máquinas são extensões dos nossos corpos e sentidos (o carro, o avião, a bicicleta são extensões das nossas pernas; a televisão e a máquina fotográfica, extensões dos nossos olhos; o rádio, o ipod, extensões da nossa audição; o computador, do nosso cérebro...). O argumento (tornado clichê) de que não somos máquinas e que, portanto, Taylor e Skinner devem ser considerados cartas fora do baralho democrático põe coisas e valores, criador e criatura... tudo no mesmo saco. O que proponho, mais uma vez, é passarmos o pente fino, separarmos o joio do trigo (uma das maneiras de se fazer isso é justamente como você, João, tá fazendo com Descartes). Caso contrário corremos o risco de jogar o bebê fora junto com a água suja, como se diz. Democracia é um valor que veio pra ficar. É universal sim, ao contrário do que defendem algumas correntes multiculturalistas. Nenhuma democracia hoje sobrevive, porém, sem a aplicação maciça da tecnologia, resultado direto da revolução industrial. Aí entramos numa aparente contradição. À primeira vista a industrialização (a máquina), quando aplicada à produção em série (fordismo) com controle e minimização do tempo (racionalização taylorista), nivela e equaliza seres humanos diferentes. Um juízo mais apurado nos mostra, porém, que essa mesma produção em série também democratiza o acesso aos bens materiais (e com isso, segundo o que se pode depreender de Marx, também os bens intangíveis) outrora pertencentes apenas às elites. Se Skinner e Taylor fizeram mau uso desse poder negando a justa participação no processo a alunos e trabalhadores, respectivamente, o que devemos atacar é o mau uso, não o poder que eles foram pioneiros em vislumbrar. O curioso é que já se faz justamente isso com Maquiavel. Por que não com Skinner e Taylor? Defender o contrário faz lembrar o movimento dos operários ingleses que, ao invés de atacar o mau uso das máquinas atacavam as próprias máquinas (os ludistas). Lembrei de poema de Brecht bem apropriado à discussão:

"O outro Lado”

Em 1934, no oitavo ano da guerra civil
Aviões de Chiang Kai-chek lançaram
Sobre o território dos comunistas
Panfletos onde colocavam a prêmio
A cabeça de Mao Tsé Tung.
Previdente
O estigmatizado Mao, em vista da falta
De papel, e da abundância de idéias
Fez juntar aquelas folhas impressas
De um só lado, e as fez correr entre a população
Com coisas úteis impressas (...) no lado limpo”

PS:  Não joguemos fora os papéis: aproveitemos o outro lado.

Quero destacar pelo menos uma consequência nefasta do não reconhecimento do verdadeiro papel da racionalização do trabalho na educação: muitos educadores que se dizem democráticos atacam as avaliações de múltipla escolha sob o argumento de que não estimulam a criatividade, não desenvolvem a autonomia, etc. Em outras palavras, os alunos não são máquinas. São dotados de subjetividade e, portanto, redações e projetos seriam muito mais apropriados a uma educação de qualidade (observação: em condições ideais, eu também prefiro as redações e os projetos). Como porém “condições ideais” são sinônimo de utopia, e não estamos tratando de ficção mas de realidade, então: a) esses educadores simplesmente não fizeram a ponte, não sacaram as implicações da revolução industrial para a educação. Não perceberam que é mais democrático racionalizar o tempo da avaliação pra recolher informações sobre o sistema educacional em todo o território nacional a fim de diagnosticar e corrigir seus problemas que deixar as comunidades do “Brasil profundo”  à mercê dos “currais pedagógicos”, onde diretores incompetentes apadrinhados pelos políticos locais mantém-se em seus respectivos cargos há anos sem serem postos à prova por nenhuma incômoda avaliação externa a descortinar o resultado de anos e anos de mau ensino derivado da substituição do mérito pelo clientelismo; b) Também não perceberam as implicações de outra revolução, anterior à revolução industrial, e sem a qual esta última não teria existido: a revolução científica. Galileu Galilei, o pai da ciência moderna, ao deslocar o eixo do critério de verdade da teoria pra prática, do texto escrito (Aristóteles) para a experimentação (observação do fenômeno, formulação de uma hipótese explicativa, verificação experimental e comprovação/refutação), criou as bases da revolução insdustrial e da sociedade como hoje a conhecemos. Em ciências humanas a “experimentação” pode se dar de várias maneiras. Uma delas é ir de encontro ao fenômeno e recolher informações, comparar e entender o porquê dele se manifestar desta ou daquela forma. O nome disso em educação pública (não na pesquisa universitária)? Avaliação externa! O contraponto democrático (pra que essas informações não sejam mau utilizadas) se dá de uma forma bem parecida com a solução encontrada pelos trabalhadores pós-ludistas, que criaram sindicatos: fazer os conselhos de escola funcionarem. Finalizando: Skinner, Taylor, Maquiavel & Cia nos fizeram o favor não só de desvelar as diversas dimensões do poder como também arriscar soluções e encaminhamentos (mesmo que a serviço das elites). Reconheçamos a importância dessas descobertas e utilizêmo-las ao nosso favor.

sábado, 29 de outubro de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Projeto para a utilização da sala de informática da EM Camburi (1ª versão)

Prof Alexandre de Souza Mattos - 3/4ª séries do EJA (Educação de Jovens e Adultos)



1. Apresentação
                Já no início de 2010, por ocasião do meu ingresso da EM de Camburi como professor do EJA (3/4ª séries) - e munido da minha experiência...
* como usuário de computadores desde 1982;
* com a internet desde 1995;
* na função de monitor da sala de informática da Faculdade de Educação da USP (Projeto Pró-aluno) em 1996/1997;
* com as atividades nas salas de informática das EM's de Barra do Una (em 2003, na condição de coordenador, com alunos do ensino fundamental regular), EM de Boracéia (em 2004, na condição de coordenador, com alunos de 1ª à 4ª série do EJA), EM de Boiçucanga (em 2007, na condição de professor, com alunos de 1ª à 4ª série do EJA) e na EM de Juqueí (em 2009, na condição de professor, com alunos de 1ª à 4ª série do EJA)...
...iniciei as primeiras sondagens relacionadas à possibilidade de utilização da sala de informática da escola. Esta contava, então, com 10 ou 15 computadores (não lembro o número exato). Destes, alguns estavam sem funcionar, mas a quantidade restante permitia a utilização dos mesmos pela classe, desde que os alunos concordassem em dividir seu tempo de uso em dois turnos de 30 minutos cada (por vezes três turnos de 20 m cada). Feito o acordo, iniciamos a utilização da sala com a prática de redação com processador de texto.
                A experiência durou apenas duas ou três aulas. Em pouco tempo, já não havia 8 ou 7 computadores funcionando, mas apenas 5 ou 4. A sala era utilizada por toda a comunidade escolar, professores e alunos dos três períodos, de modo que não deu pra saber exatamente em que momento este ou aquele pc deixou de funcionar. O fato é que uma vez utilizados, os computadores de qualquer sala de informática – pública ou não – precisam de manutenção permanente e conexão com a internet (para atualização permanente dos antivírus), caso contrário não sobrevivem por muito tempo. Passado 1 ano desde a primeira tentativa de utilização regular da sala, pouco após a última manutenção realizada pela equipe de informática da Secretaria da Educação e com a promessa da internet iminente, vislumbramos novamente a possibilidade de retomar o tão necessário trabalho de inclusão digital da clientela do EJA. Este projeto acaba de ser elaborado com o intuito de balizar a retomada do trabalho interrompido 1 ano atrás, sob condições alheias à vontade deste professor, seus alunos e, muito provavelmente, também da maioria esmagadora dos alunos do ensino regular e dos pais que anseiam por viabilizar a seus filhos o domínio das ferramentas necessárias para a inserção destes na grande sociedade da informação que se projeta neste início de século XXI.
  
2. Objetivos
                Proporcionar inclusão digital aos alunos do EJA (3/4ª séries) da EM de Camburi através da utilização do computador e da internet como recursos para o desenvolvimento de conceitos, procedimentos e atitudes relacionadas ao domínio de softwares/sites apropriados aos diversos componentes curriculares. Através da utilização da internet, pretende-se também desenvolver a percepção da função social não só da leitura e escrita, mas também da produção e consumo das informações audiovisuais. Isto se dará através da inscrição dos alunos em sites gratuitos de redes sociais como o Twitter e Orkut, bem como da sua contribuição para a atualização do blog da escola (http://emcamburi.blogspot.com) com textos, desenhos, fotografias e filmes realizados com a filmadora da escola, ou mesmo com celulares (com a devida autorização para sua utilização).


3. Justificativa
                A sociedade têm passado por transformações de tal monta nas últimas décadas que muitos educadores e pensadores já manifestaram a opinião de que vivemos no olho do furacão de uma revolução da informação proporcionalmente maior ainda que a desencadeada pela invenção da prensa móvel por Gutemberg no século XV. Dentre estes educadores e pensadores, destacam-se, entre outros, Marshal Mcluhan, Ivan Ilich, Lauro de Oliveira Lima, Pierre Levy, Pierre Babin e Jaques Pappers. A escola, sendo a instituição responsável pela transmissão em massa do chamado 'saber elaborado' (Georges Snyders) - ou, como o classifica os PCN's, as chamadas competências conceituais, procedimentais e atitudinais - não pode eximir-se da sua função primordial. Posto isso, cabe considerar a necessidade premente de inclusão digital da sua clientela, especialmente os que ainda não possuem qualquer contato com o computador (o caso da maioria dos alunos do EJA)


4. Estratégias
a) Computadores off line:
* Fundamentos práticos: ligar o estabilizador, ligar o pc, o monitor, localizar as letras do alfabeto no teclado, pressionar cada tecla com a força e o tempo suficientes para a inserção de uma letra por vez, digitar a senha de acesso, localizar e pressionar a tecla 'enter'. Utilização do 'mouse' (‘rato’), seus dois ou três botões e a rodinha no centro (scroll lock = trava de rolagem).
* O significado das informações aparecidas na tela do monitor: a área de trabalho, o menu iniciar, os programas, os documentos. Digitação. Teclas para dar espaço, apagar para a frente, apagar para trás, criar outra linha, letra maiúscula, comandos de formatação do texto. Salvar e fechar o documento, desligar o pc (personal computer) e, por fim, o estabilizador.
* Softwares (em ordem de prioridade): processador de texto (Língua Portuguesa), didáticos por área (Matemática, História, Geografia e Ciências) e desenho e ‘pintura’ (Artes).
Obs. Os fundamentos práticos serão ensinados como pré-condição para, num primeiro momento, darmos continuidade à prática de produção de texto (redação) já em curso no semestre letivo, em sala de aula.

b) Computadores on line:
                Os alunos aprenderão a preencher o cadastro para abertura de conta de e-mail e utilização de diversos sites. Em seguida, aprenderão a utilizá-los para produzir, consumir e compartilhar conteúdo escrito e audiovisual.
* Língua Portuguesa: processamento de texto (redação). Internet: e-mail, twitter, blogger, orkut, etc;
* Artes: desenho e pintura. Internet: flickr, etc;
* Geografia: Internet: localização com o google maps, etc;
* Matemática: planilhas. Internet: sites didáticos, etc;
* História: Internet: Wikipédia, etc;
* Ciências: Internet: sites didáticos, etc;
Obs. os conteúdos acima poderão ser trabalhados obedecendo-se a ordem em que estão listados ou paralelamente, de forma transdisciplinar.


5. Avaliação

                A natureza dos conteúdos e estratégias acima descritos e listados evidencia o caráter contínuo e permanente da avaliação dos trabalhos. Dado o fato de este ser desenvolvido em grupo, onde os alunos estarão em contato incessante uns com os outros no processo de construção do conhecimento, a avaliação se dará também tanto na forma horizontal (aluno-aluno) quanto vertical (pelo acompanhamento pelo professor). A despeito do acima exposto, também se espera que o incremento do domínio das ferramentas digitais e do cyber espaço pelos alunos atue positivamente, de forma indireta, na melhoria do rendimento escolar nas avaliações pontuais, também realizadas (semanalmente) por este professor.
                Especificamente quanto à inclusão digital, serão indicadores do desempenho dos alunos o grau de domínio adquirido...
  • ...no manuseio dos botões, teclado e mouse, necessários para a inserção e visualização de dados nos pc’s;
  • ...na utilização dos softwares off line.
  • ...na navegação na internet e utilização dos sites nos quais os alunos irão se inscrever.

6. Disposições finais
                Espero com este projeto poder contribuir para a utilização das salas de informática nas escolas públicas em geral. É permitida sua utilização por quem quer que seja sob os termos da licença de direitos autorais da Creative Commons. Ou seja, desde que concedidos os devidos créditos ao autor.

Alexandre de Souza Mattos

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sobre EAD e a melhor proporção professor/alunos

Comentário postado em resposta ao artigo "O Pesadelo da EaD", de autoria de 'De Mattar'

Alguns breves comentários de quem não está a par da conjuntura que envolve hoje a EAD, mas que há muito reflete sobre as grandes questões envolvendo a macro-educação:

Deixando de lado as questões trabalhistas e me atendo ao problema pedagógico, penso que o futuro da EAD deverá envolver a ampla utilização das redes sociais. O Facebook é um exemplo de rede social que constantemente inova na oferta de aplicativos. Daí para redes sociais aplicadas, ou mesmo no interior das grandes redes, que ofereçam aplicativos que permitam interações ricas entre os internautas e alunos também do ensino formal (encaremos as atuais redes sociais como 'ensino informal'), penso que é um pulo. Nesse contexto, não penso que a proporção de 400 alunos por professor seja um absurdo, mas somente nesse contexto. Mark Zuckerberg e sua equipe de, talvez, 50 funcionários não 'ensinam' (de certa forma) cerca de 2 bilhões de alunos? 1 professor pra cada... 40 milhões de alunos...

Claro, não quero aqui colocar ensino formal e informal no mesmo patamar, mas sempre me opus ao muro de Berlim que nossas universidades (fiz pedagogia na USP) construíram ente os dois lados. E o resultado tá aí. A grande revolução da educação contemporânea - a revolução da comunicação - passa ao largo dos muros da escola brasileira, especialmente da escola pública. As Lan houses ensinam mais...

Resumo: eu defendo a) uma maior interação entre ensino formal e informal; b) que os professores sejam formados no amplo conhecimento dessas redes para que possam utilizar-se delas (construindo aplicativos também) como ferramenta para dinâmicas de aprendizagem 'horizontal' (e não somente vertical). Dinâmicas entre alunos (aprendizagem horizontal) apenas acompanhadas e mediadas pelos professores; c) aulas magnas, com professores de renome, via teleconferência; d) encontros presenciais livremente combinados entre os alunos, como atualmente já se dá a partir das redes sociais abertas.

Essas são algumas poucas reflexões a respeito. Não quero, porém, diminuir a importância das questões trabalhistas. Até porque trata-se aqui de dar todo o apoio à categoria profissional dos professores nesse processo de transição para uma educação mais global e tecnológica. Educação Fordista, mas também Mcluhiana.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pérolas da educação


Enquanto isso, nas escolas do Brasil profundo (onde eu sou professor)...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Meu professor inesquecível"

Extraído do site E.EDUCACIONAL

"Eu tive três grandes professores. Um foi o Mário Henrique Simonsen, que era excepcional. O segundo excepcional professor que eu tive foi o Amartya Sen, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia há alguns anos. O terceiro foi um romeno radicado nos EUA chamado Nicolas Georgescu-Roegen, que quase ganha o Prêmio Nobel. E esse foi disparado o melhor. Ele, diante das novas teorias pedagógicas, seria massacrado, porque ele era um homem brutal, tratava seus alunos da forma mais cruel possível, com as melhores intenções. E era um professor que, quanto melhor o aluno, pior ele tratava. Era um professor que se dedicava a fundo aos seus melhores alunos e, apesar de ter uma boa alma, torturava-os para que produzissem mais e mais e mais. Ele também foi uma pessoa que me deu grandes lições, de não ficar com muitas coisas na superfície, mas de voltar às idéias fundamentais. Logo que eu cheguei à faculdade para fazer o doutorado, ele me viu na biblioteca com um monte de livros. Ele passou por mim, olhou os livros um por um e disse (fala caprichando no sotaque): 'Mr. Castro, o senhor lê demais e entende de menos. O senhor precisa ler menos e entender mais.' E essa foi uma das grandes lições: foco, concentração, entender profundamente algumas poucas idéias e não fingir que entende um número colossal delas. E para mim, fruto do ensino brasileiro, que é o ensino de fingir que entende tudo, essa foi a grande lição: aprender pouco, mas bem."

Cláudio de Moura e Castro

* Cláudio de Moura e Castro é economista, escritor, mestre em Educação, Ph.D em Economia (Universidade de Vanderbild), possui mais de 30 livros publicados e é articulista da revista Veja.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

EM CAMBURI


Tirada do outro lado da rua

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Comentários aos comentários sobre minha resposta ao manifesto de M. Chauí e P. Singer

Algumas considerações:

1) Concordo em que é necessário sim dialogar com Irã, Venezuela, Cuba & Cia, mas acredito que Lula foi um pouco além do simples diálogo. Seus comentários a respeito dos protesto dos iranianos contra a eleição provavelmente forjada do... (não sei escrever aquele nome terrível, rs)... do líder iraniano, a respeito da greve de fome dos presos políticos cubanos, seu silêncio quanto ao fechamento de redes de tv e jornais na Venezuela... Tudo isso faz com que se possa suspeitar da concepção de democracia do PT

2) Discordo do seu relativismo quanto à definição de democracia. Se por um lado é preciso reconhecer os entraves às liberdades, em geral, onde quer que elas existam ou deixem de existir, por outro é preciso estipular parâmetros e definir quem se aproxima e quem se distancia deles. Os EUA deixam a desejar em vários aspectos nesse sentido sim, mas comparados aos outros citados aqui, podemos dizer que internamente são sim democráticos. Eleições (+) transparentes, separação igreja/estado, liberdade de crítica, mobilidade social (ascensão das minorias, Barack Obama negro), igualdade entre os gêneros, alternância no poder, etc. Seu ponto fraco é o apoio a regimes autoritários e ditaduras nos quatro cantos do mundo, de acordo com seus próprios interesses. Isso, no meu entender, precisa ser analisado, porém, primeiro na ótica da guerra fria. Segundo, pela geopolítica internacional. O apoio às democracias precisa ser a tônica geral dos países. Se os outros também titubeiam nessa defesa (o Brasil, inclusive), os EUA não podem ser os únicos responsabilizados. E digamos que eles, por outro lado, também dão grande incentivo às democracias nascentes, o caso da Nação Palestina, por exemplo, que elegeu o Hamas e, mesmo assim, continua contando com o apoio dos EUA para a criação do estado palestino.

3) Quanto ao Brasil ter se saído bem na crise, concordo quanto à importância do mercado interno. Ele não seria suficiente pra conter o desemprego e a recessão, porém, caso fôssemos exportadores de tecnologia. Acompanho os debates na Globonews, GNT, e pude constatar que essa posição não é só da 'The Economist". Como já citei, endossam essa análise o Carlos Alberto Sardenberg, O Ricardo Amorin & Cia.

4) Eu vi sim Serra tocar na questão dos cargos de comissão. E numa rápida pesquisa no Google encontrei esses links aqui dando destaque ao tema, inclusive um que critica Serra justamente por tentar promover meritocracia na carreira do magistério. Dê uma olhada: http://www.google.com.br/search?sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=meritocracia+Serra

5) Sobre conrole das mídias, acredito que a melhor forma de controle é a quebra de monopólios no setor e o incentivo a novos canais de comunicação (jornais, revistas, rádio, televisão), mas nunca monitoramento. Salvaguardado o direito de todos os setores de criarem seus próprios veículos, a regulação do setor deverá caber aos leitores. Eles é que darão sua credibilidade ou não aos fornecedores de notícias.

Abs

Alexandre

Resposta ao Manifesto de Marilena Chauí e Paul Singer

Antes de tudo, acho que é preciso hierarquizar os valores. Se Paul Singer e Marilena procuram arrumar a casa nesse mar de informações desencontradas, Soninha Francine, Arnaldo Jabor, Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr, Capovilla e outros tantos tem feito o mesmo do outro lado. Vamos também nós tentar arrumar a casa:

a) Penso que a democracia rivaliza com a justiça social em prioridade. Isto porque é justamente através da democracia que as massas podem, ao longo de sua evolução, manifestar seus anseios sociais. Exemplo disso é o Lula no poder, só possível graças à observância dos princípios democráticos por nossas instituições. Se a miséria põe a democracia em risco, a concentração excessiva de poder também o faz. É preciso um equilíbrio entre a luta por justiça social e o processo permanente de descentralização de poderes que caracteriza a democracia.

b) Muitos movimentos sociais, no mundo inteiro, se caracterizaram por atacar as injustiças sociais - num primeiro momento - concentrando poderes para poder fazer isso mais velozmente (URRS, Leste Europeu, Vietnã, Coréia do Norte, China, Cuba, etc). O problema é que, passado o período de exceção, mantiveram o poder centralizado, gerando assim outras formas de injustiça: a ascensão da classe dos burocratas, com regalias equiparáveis às que antes auferiam a monarquia, a burguesia, etc. Também se caracterizaram pelo cerceamento da liberdade de expressão, com o aprisionamento dos dissidentes. Pelo cerceamento da liberdade de ir e vir, etc. Nas democracias ocidentais essas exceções à democracia aconteceram somente por breves períodos, como por exemplo no macarthismo (USA). Passada a crise, tudo voltou ao normal. Mesmo no Brasil foi assim. Nos países citados mais acima, porém, a crise só serviu de pretexto para a passagem de poder de uma classe minoritária a outra igualmente minoritária.

c) Tendo em vista o disposto nos ítens acima, eu creio que devemos nos pautar por políticas que promovam sim justiça social - o que no Brasil atual significa, primordialmente, distribuição de renda e serviços públicos de qualidade - porém com plena liberdade de expressão e descentralização cada vez maior de poderes.

d) Concordo que o PT tenha aprofundado as políticas sociais do PSDB. Isso, no entanto, foi feito em meio a uma avalanche de escândalos postos em banho maria pelo partido, bem como sucessivas tentativas de concentração de poder. Primeiro pelo aparelhamento dos órgãos públicos. Segundo pela concepção errônea, já posta em prática nos chamados conselhos estaduais, de que os órgãos de imprensa devem ser monitorados (ao invés de ser postos à prova por uma política diametralmente oposta a esta: o fomento ao surgimento de novos canais de informação). Terceiro, pelo apoio internacional a governos autoritários, tais como os da Venezuela e do Irã.

e) Considerado o que foi posto acima, eu entendo que o PSDB se aproxima mais desse ponto de equilíbrio por várias razões: Serra apóia políticas meritocráticas não só para o funcionalismo público, como também na educação; Condena veementemente os regimes autoritários da Venezuela e do Irã; Repugna a política de oposição a qualquer custo do PT. Defende o bem-público acima das disputas partidárias; O PSDB tem a seu favor o Plano Real, a lei de responsabilidade fiscal, a criação dos programas de transferência de renda, a ampliação do serviço de telefonia a toda a população, a política acertada dos genéricos, a quebra da patente dos remédios contra a AIDS, a biografia limpa e de participação nos movimentos estudantis de Serra, sua atitude serena diante do discurso truculento dos petistas, sua defesa intransigente das instituições democráticas, a praticidade e objetividade que o permite desideologizar questões importantes em política interna e externa, tais como a natureza de nossa participação no mercosul, nossas relações com a China, USA, etc.

f) Paul Singer, Marilena Chauí e outros tantos intelectuais têm colocado a luta por justiça social à frente da defesa da democracia formal, da democracia representativa. Isto os posiciona ao lado de todos os já citados movimentos de esquerda que centralizaram poder gerando sociedade totalitárias ou autoritárias. Ignoram em seus discursos os exemplos das democracias desenvolvidas, em especial as escandinavas, que promoveram justiça social sem abrir mão da democracia. 

g) Ignoram, em seu discurso, o fato de que não foi só o Brasil que se saiu bem da crise, mas os países exportadores de matérias primas em geral, como bem ressaltou a 'The Economist'. Nos saímos bem não somente pela política econômica petista (na verdade tucana), mas pelo fato de não sermos exportadores de tecnologia. Esse dado também tem sido ressaltado pelos economistas Ricardo Amorin (qualificado ou desqualificado?) e Ricardo Sardenberg (qualificado ou desqualificado?), entre ourtros.

h)Paul Singer e Marilena Chauí, pasmem os ingênuos, também defendem sua condição de professores universitários públicos, beneficiários portanto dos programas de incentivo e fomento da universidade pública (mas em grande parte 'privada') brasileira, que continua premiando setores privilegiados da população com a gratuidade de dispendiosos cursos universitários (pagos pelos mais pobres que não vão à universidade). São beneficiários também do fisiologismo das nossas universidades públicas, fisiologismo que as fazem evocar a 'autonomia universitária' com as mesmas vozes que a defendiam contra a ditadura sem se aperceber que agora não se trata mais de resguardar as liberdades democráticas elementares, porém de simplesmente permitir aos poderes públicos a conferência e fiscalização das suas contas. Justo, não? Como muitos marxistas ensinam, cabe aqui aplicar a Paul Singer, Marilena Chauí & Cia a mesma lógica que eles costumam aplicar somente aos outros.

i) Paul Singer e Marilena Chauí sequer tocam nos pontos importantes das relações internacionais quando afirmam o compromisso do PT com a democracia. Falham aí. Deveria explicar as incríveis contradições do partido nesse campo.

j) Creio que seria se suma importância que os intelectuais partidários do discurso do manifesto, bem como os demais defensores dos atuais gastos com o ensino público, aceitassem de bom grado a transparência na divulgação dos resultados das avaliações externas levadas a cabo tanto no 1º (SARESP, aqui em SP) quanto no segundo (ENEM) e terceiro graus (ENADE). Isso ajudaria sobremaneira ao conjunto da sociedade quanto à tomada de decisões relativas à aplicação do dinheiro público na educação. Ao contrário disso, a USP tem se recusado há vários anos a participar do ENADE (somente agora a UNICAMP aderiu), o MEC não divulga rankings (só divulgados pela imprensa) e os sindicatos qua apoiam o PT boicotam as avaliações, tanto das escolas quanto dos próprios professores, o quanto podem.

Conclusão: considerando principalmente a necessidade de um equilíbrio entre as políticas de transferência de renda com a defesa das instituições democráticas e republicanas, o quanto o passado dos dois candidatos e das duas coligações têm a seu favor nesse quesito, bem como a necessidade imperiosa de sinalizar à sociedade e às novas gerações a minha não anuência em relação ao pouco caso com a desonestidade no trato da coisa pública, quero reafirmar meu apoio a José Serra.

1- Alexandre de Souza Mattos



Data: 26 de outubro de 2010 20:57
Assunto: O manifesto de Chauí e Paul Singer
 
 
26 de outubro de 2010 às 3:00

O manifesto de Chauí e Paul Singer

MANIFESTO AOS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

por Marilena Chauí e Paul Singer

Em 31 de outubro deste ano, os brasileiros serão chamados novamente às urnas para decidir os rumos do país pelos próximos quatro anos. A campanha tem se caracterizado por um acirrado duelo de denúncias, calúnias e boatos, que quase não deixou espaço para a discussão dos problemas da nação e as diferentes opções políticas que existem para solucioná-los. Não podemos permitir que o mesmo se repita neste segundo e derradeiro turno, como se a escolha da pessoa que ocupará a Presidência da República dependesse exclusivamente das intenções ostensivas ou ocultas dos candidatos.

Os dois candidatos que disputarão nossos votos são Dilma Roussef e José Serra, que representam as duas coligações partidárias que governaram o Brasil durante os últimos 16 anos, com objetivos e métodos distintos, derivados de interesses e ideologias de classe muito diferentes.

É necessário então explicitar os projetos e se posicionar a partir de uma avaliação das opções que cada uma das coalizões representa, manifestada nas gestões, tanto nacionais como estaduais, que dirigiram.

A coligação que apóia Serra governou durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, e teve por mérito encerrar a violenta crise inflacionária que atingiu o país entre 1979 e 1994 por meio duma política que abriu completamente o mercado interno às importações de produtos industriais, vindas principalmente da Ásia, barateadas pelo baixo custo da mão de obra nos países de origem e pela valorização do real. O custo de vida efetivamente deixou de subir, tirando da miséria no primeiro ano do plano real alguns milhões de brasileiros, mais atingidos pela inflação alta. Contudo, os custos também foram altos. A indústria nacional entrou em terrível crise, que quebrou grande número de empresas e eliminou milhões de postos de trabalho. O desemprego tornou-se de massa, a ponto dos movimentos reivindicatórios dos sindicatos cessarem, com a trágica exceção das greves de protesto contra demissões coletivas.

O custo da estabilização dos preços foi altíssimo e foi pago pela classe operária, na forma de desemprego em massa e duradouro e de persistente queda dos salários, decorrente do excesso de oferta de força de trabalho no mercado. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a economia nacional só cresceu em alguns anos excepcionais; durante os demais a economia ficou em recessão, causada por sucessivas crises financeiras internacionais, de cujos efeitos a política liberal posta em ação foi completamente incapaz de proteger o país.

Durante o governo Lula a política econômica, que foi paulatinamente sendo retirada da camisa de força liberal, fez com que o Brasil crescesse duas vezes mais que durante os quatriênios tucanos. A oposição tucana alega que isso se deve à sorte de Lula de governar numa época em que as crises financeiras foram menos freqüentes. Este argumento foi posto à prova quando estourou a atual crise financeira internacional, em 2008, que é de longe mais extensa e profunda que as crises ocorridas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Como todos sabem, a economia brasileira foi afetada apenas durante dois trimestres graças à vigorosa política anticíclica do governo. Este ano espera-se que a economia brasileira cresça algo como 7%, enquanto a maioria das economias do 1o Mundo ainda estão mergulhadas na crise.

O crescimento econômico havido durante o governo Lula é fruto portanto de opções políticas, que apesar do ponto de vista cambial e monetário não ter se distinguido consideravelmente do período de FHC, no computo geral realizou uma inflexão na política econômica, ampliando o credito, fomentando o mercado interno, recolocando o estado como agente ativo do crescimento, taxando o capital especulativo estrangeiro que entra no país, valorizando o salário mínimo e inclusive desenvolvendo em escala uma serie de políticas sociais, que também tiveram importante impacto do ponto de vista econômico, ao ampliar a demanda efetiva por bens e serviços no mercado interno.

No que diz respeito às políticas sociais, o governo tucano iniciou ou deu continuidade a algumas políticas sociais: a distribuição de auxílios às famílias com renda abaixo dum patamar mínimo e a concessão de crédito subsidiado pelo Pronaf aos pequenos agricultores mais necessitados. Mas estes programas foram executados de forma tão limitada que beneficiaram apenas uma fração dos que deveriam ser atendidos. Quando diferenças de quantidade se tornam muito grandes, geram diferenças de qualidade: no governo FHC as políticas sociais eram marginais e de pouco impacto, mas no governo Lula elas se tornaram prioritárias, ganhando abrangência e desencadeando forte estímulo ao desenvolvimento econômico local.

Em suma, a grande prioridade do governo tucano foi impedir a volta da inflação, o que foi conseguido pelo recurso a medidas recessivas sempre que turbulências financeiras atingiam o Brasil. A outra prioridade deste governo foi reduzir as dimensões do Estado mediante a privatização da indústria siderúrgica, das empresas estatais de produção e distribuição de energia elétrica, de telecomunicações, além da maioria dos bancos públicos. O coroamento deste processo foi a privatização da Vale do Rio do Doce, feita sem qualquer justificativa de interesse público, mas apenas pelo princípio ideológico de que qualquer empreendimento que possa ser operada pela iniciativa privada não deve permanecer em poder do Estado. Apesar da venda de grande parte do patrimônio público, o governo FHC acumulou enorme dívida pública.

O governo do Presidente Lula priorizou desde o seu início a retomada do desenvolvimento com redistribuição da renda. Para atingir estes objetivos, o governo lançou o Programa de Fome Zero, estratégia estruturante de combate à pobreza e distribuição de renda, que, entre outras coisas, tratou de estimular a produção alimentar pela agricultura familiar e propiciar segurança alimentar para o povo brasileiro. Ao mesmo tempo unificou diversos programas de renda mínima, até então fragmentados e localizados, e deu escala, resultando no admirado e internacionalmente imitado Programa de Bolsa Família, que resgatou da fome e da miséria dezenas de milhões de brasileiros e levou pela primeira vez desenvolvimento econômico aos bolsões de pobreza. Mais recentemente, o governo promoveu a criação do Sistema Único de Assistência Social, o SUAS, ampliando a rede de proteção social rumo à universalização da promoção dos direitos para crianças e adolescentes em situação de risco, população de rua e outros segmentos vulneráveis.

No governo Lula, o crescimento econômico não esteve apartado do respeito ao meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. Ainda que haja muito a ser feito, é inegável que o país assumiu o protagonismo na defesa do uso da matriz energética limpa e propondo compromissos internacionais importantes na redução do desmatamento e da emissão dos gases de efeito estufa. Para não falar da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, que significará uma nova etapa em termos de sustentabilidade e inclusão social, com o reconhecimento dos catadores de materiais recicláveis alcançando um patamar de dignidade. Isso é respeito ao meio ambiente aliado com o desenvolvimento humano.

Na área da segurança pública, por meio do Ministério da Justiça, que ao fazer a articulação entre a política de segurança e ações preventivas na área social, inaugurou uma nova etapa no combate à violência em nosso país, enfrentando ao mesmo tempo as causas e o crime em si.

A natureza deste manifesto não permite descrever cada uma das muitas políticas sociais realizadas pelo governo petista. Vamos apenas enumerar as mais importantes: a Luz para Todos que atingiu a quase totalidade das famílias dela carentes; o Pronaf, que atuava na prática apenas no Sul do Brasil foi estendido a todo território nacional, resgatando assentados da reforma agrária, indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos; o salário mínimo foi reajustado sistematicamente acima da inflação, beneficiando milhões de assalariados e aposentados. O programa de Aquisição de Alimentos criou um mercado seguro para os pequenos produtores agrícolas, preferencialmente organizados em cooperativas, e juntamente com o Programa Mais Alimentos e o de Alimentação Escolar arrancou da miséria grande parte do campesinato, a ponto da emigração do campo às cidades ter cessado apesar do desemprego nas metrópoles ter caído à metade nos últimos sete anos.

De fato, o crescimento econômico aliado às políticas ativas de trabalho e emprego fizeram que fossem gerados mais de 14 milhões de postos de trabalho formais nos últimos anos. Além disso, o governo fomentou o trabalho associado em economia solidária, fortaleceu a agricultura familiar e facilitou a formalização de milhares de empreendedores individuais. O resultado tem sido a redução do trabalho informal e desprotegido.

Haveria que mencionar ainda a ampliação notável das redes públicas de escolas do primeiro ao terceiro grau, estimuladas pelo FUNDEB, que ampliou o financiamento público para toda a educação básica, coroada pelo Programa ProUni, que abriu as portas do ensino superior a centenas de milhares de jovens oriundos de famílias de baixa renda e/ou racialmente discriminadas; e a acentuada expansão de escolas técnicas tem a mesma natureza redistributiva.

Além disto, o governo Lula criou novos programas que buscam uma transformação mais profunda da sociedade, criando novos modelos de desenvolvimento e de participação social nas políticas publicas, como por exemplo, as políticas de apoio à economia solidária, os Territórios da Cidadania, as ações de etnodesenvolvimento para as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, todas elas grandes inovações na integração e gestão democrática das políticas públicas.

Para além dos programas, o governo Lula, deu à Secretaria de Direito Humanos da Presidência da República, o status de Ministério, reforçando o compromisso do Governo Federal com os direitos humanos. Os trabalhos desse Ministério, corajosos e bravos, não passaram despercebidos pela sociedade, que tomou conhecimento – se bem que por via distorcida por um certo olhar conservador vindo da grande imprensa – de temas como o direito à memória e à verdade a respeito dos anos fatídicos da Ditadura Militar, a democratização dos meios de comunicação de massa e a ampliação dos direitos de setores excluídos da população.

Outro aspecto que revela quão distintos são os projetos de cada uma das coalizões partidárias em disputa é a forma de encaminhar a participação social no desenvolvimento das políticas públicas. Se no governo de FHC não houve completo esvaziamento dos espaços de exercício da democracia direta, como Conselhos e Conferências, estas práticas ficaram restritas a pouquíssimas temáticas.

Durante o governo Lula se buscou ampliar os espaços de democracia direta e de participação da sociedade civil organizada nas políticas públicas. Foram realizadas dezenas de conferencias nacionais, cobrindo quase todos temas de políticas publicas, da saúde à comunicação, da economia solidaria ao desenvolvimento rural, do meio ambiente à problemática urbana. Estas conferencias elaboraram propostas que se transformaram em políticas públicas, sendo inseridas no Plano Plurianual votado pelo Congresso Nacional. Os Conselhos nacionais, que foram criados ou reavivados pelo governo Lula, tem sido um importante espaço de participação da sociedade civil nos rumos do governo e um importante avanço em direção ao orçamento participativo na esfera federal. Desta maneira, tem se caminhado nos últimos anos para a democratização do estado e mediante a abertura de canais de democracia direta.

Fica claro que os dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições representam projetos de país consideravelmente diferentes. São as diferenças destes projetos que devem guiar a decisão de cada eleitor, não os seus supostos ou pretensos méritos individuais. Uma eleição presidencial nada tem de parecido com um concurso para a escolha do indivíduo mais apto para "gerenciar" o país. É a ocasião em que os cidadãos têm a oportunidade, que só a democracia oferece, de escolher pelo voto livre a coligação partidária que lhes parece melhor atender aos interesses e aspirações da maioria.

Para que esta escolha seja consciente é essencial que o 2o turno permita que o projeto de país de cada um dos candidatos seja conhecido, esmiuçado e submetido à critica de todos brasileiros politicamente engajados.

Apesar deste debate de projetos ainda não ter ocorrido, as experiências de cada coalizão que disputa este segundo turno, tanto em âmbito federal, comparando os períodos de FHC e de Lula, como as experiências estaduais, nos fazem crer que o projeto representado pela coalizão encabeçada por Dilma Roussef é aquele que representa a maior possibilidade de transformação do Brasil, com desenvolvimento econômico, redistribuição de renda e ampliação e radicalização da democracia.

É justamente Dilma, que por sua trajetória de luta ao longo da vida e papel central que teve no governo Lula, que representa a garantia de continuidade, consolidação e avanço deste projeto iniciado pelo Presidente Lula.

Para assinar este manifesto, envie seus dados (nome completo e RG) para cultura@pt.org.br, com assunto "Manifesto aos Brasileiros e Brasileiras de Marilena Chauí".

1. Paul Singer
2. Marilena Chauí
3. Paulo de Tarso Vannuchi
4. Giorgio Romano
5. Ricardo Musse
6. Glauco Pereira dos Santos
7. Lea Vidigal Medeiros
8. André Singer
9. Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos
10. Walmice Nogueira Galvão
11. Reginaldo Moraes
12. Walter Andrade
13. Fabio Sanchez
14. Roberto Marinho Alvez
15. Maurício Sardá
16. Daniela Metello
17. Antonio Haroldo Mendonça
18. Daniel Puglia, professor (FFLCH – USP)
19. Weber Sutti
20. Gustavo Vidigal
21. Mauricio Dantas
22. Roseli Oliveira





domingo, 24 de outubro de 2010

A Soninha Francine é qualificada? (carta a um amigo petista)

Amigo, como vc me disse que não usa nem vai usar o Twitter, mando o endereço da Soninha Francine (aberto a não usuários), que tem se revelado uma comentarista e pesquisadora arguta das mentiras e contradições da campanha da Dilma: http://twitter.com/SoninhaFrancine . Ela tem corrido atrás dos números e constatado que eles não batem com os ofereceidos pela campanha petista.

Sugiro que vc procure lidar com as informações com o espírito aberto, que não procure 'desqualificar' a Soninha, como fez inclusive com o irmão de fé Paulo Evaristo Arns (que vota no Serra pq já trabalhou com FHC, etc...). Lidar com o fato (fenômeno, em ciências humanas) sem preconceitos tem até um nome em filosofia: fenomenologia. Considerar o fenômeno primeiro em si mesmo para depois analisá-lo cotejando-o com a ideologia (ou teoria), e não o contrário (cujo resultado é sempre a desqualificação do outro porque não se enquadra no seu esquema mental). Ex: Paul Singer quando procura definir 'capitalismo' e 'socialismo' em si mesmos e chega à conclusão que o que os distingue nada mais é que a opção pela descentralização, no caso do primeiro, e pela centralização, no caso do segundo. Resumindo, primeiro a busca da verdade (o que é?), pura e simples, depois a interpretação (por que é?) e opção pelo melhor caminho (por que deve ou não deve ser)

Abs

Alexandre


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Correspondência com um amigo petista

Belo comentário do José Dutra ao ato de agressão contra Serra: “Censuramos esse tipo de ação porque entendemos que não contribui para fortalecimento da democracia.” Ora bolas... não só não contribui como coloca em cheque a própria democracia.

O medo à política petista para as comunicações deve-se muito à adesão manifesta a Chavez, que na Venezuela anda perseguindo sistematicamente os jornais que lhe fazem oposição. Nunca vi nenhum petista se posicionar contra isso.

O discurso solidário de Leonardo Boff contrasta muito com o posicionamento petista em relação à repressão aos manifestantes no Irã, com a anuência à repressão à oposição em Cuba, na Venezuela... Se não podemos cobrar praticidade, pelo menos coerência devemos cobrar das utopias.

Belas palavras de Chico no ato dos intelectuais pró-Dilma. Como sempre, aliás. Concordo com a postura, seja lá de quem for, de falar grosso com os poderosos e fino com os humildes. A questão é que isso não pode estar descolado de princípios éticos gerais. Se o poderoso estiver certo, deve ser aplaudido. Se o humilde estiver errado, criticado. E por que? Porque o humilde de hoje muitas vezes é o poderoso de amanhã. E vice-versa. Impérios se erguem e se esvaem. E não esqueçamos que há muitos exemplos de ditadores que vieram das classes humildes, trabalhadoras. A opção pela humildade não pode ser cega. É uma opção correta no Brasil, uma das piores distribuições de renda do mundo, mas não a qualquer preço.

Sobre o fato de o PSDB não ter negros, ponto para o PT. Os próprios tucanos sabem que a falta de enraizamento com os movimentos e associações populares é seu fraco. O psdb é fraco no nordeste por isso, entre outros. Mas, como já disse (e vc também), precisamos considerar vários aspectos em conjunto, hierarquizar valores (já que há vários em disputa), etc, etc... Creio que poucas demonstrações de preocupação com os menos favorecidos e as minorias todas - inclusive as raciais - poderiam ser mais contundentes que a estabilização da moeda com o plano real, por exemplo. Lembremos que isso tirou dinheiro dos bancos. Lembro que foi a partir do plano real que os bancos passaram a cobrar por serviços simples como saque de dinheiro nos caixas, emissão de talão de cheques, etc. Ou seja, contribuiu para melhorar a distribuição de renda, uma boa maneira de se honrar a dívida histórica com os negros. Essa é a diferença entre a utopia e o realismo. Enquanto a utopia humanista defende um socialismo que nunca existiu, o realismo humanista pratica um capitalismo social. Inclusive com privatizações necessárias, como a da telefonia que abriu as comportas do telefone fácil para todos, ricos e pobres, brancos e negros.

No governo Lula os bancos tiveram lucros recordes. Isso mostra que parte da bonança nesses últimos 8 anos deve ser creditada não apenas ao governo, mas à conjuntura internacional pré-crise. E a crise não deixou de atingir o Brasil apenas por ações e políticas de governo, mas principalmente por conta de sermos exportadores de matérias-prima e commodities. Os países exportadores de tecnologia é que sofreram com a crise.

Discurso de Leonardo Boff e Chico Buarque no ato de intelectuais e artis...

É com dor no coração que desta vez, pela primeira vez, eu e Chico Buarque ficaremos de lados opostos. É certo que tenho a boa companhia de outros ilustres brasileiros, defensores intransigentes da honestidade na política, como Marcelo Tas, Soninha Francine e Fernando Gabeira entre ourtos, mas confesso que estar no lado oposto do 'Anjo Gabriel', como bem alcunhou Leonardo Boff, me traz tristeza no coração. De qualquer forma, há momentos na vida em que é preciso optar pelo realismo ao invés da utopia. Ainda mais quando a utopia principia a tornar-se mentirosa e autoritária.

domingo, 17 de outubro de 2010

Leitores digitais obrigam as editoras a se reinventar

Algumas empresas ainda se mostram receosas com a tecnologia.

Com o surgimento do Kindle, o primeiro leitor digital, o mercado começou a acreditar que ler livros em uma tela poderia se tornar um hábito. A venda de e-books nos EUA cresceu 252% este ano.

domingo, 26 de setembro de 2010

"The Economist" para além da economia...

Muita gente acredita que a superbadalada revista inglesa "The Economist" trata só de economia. O vídeo a seguir mostra que não. Aliás, é só dar uma olhadela na revista pra conferir que a abrangência de assuntos, muito maior que o simples enfoque econômico.

Globo Vídeos - VIDEO - Milênio conversa com o editor-chefe da The Economist:

 
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